Tenho
a sorte de ser um cara nascido e criado em Salvador.
Não troco essa cidade por nada. Aqui, tenho
paz e agito em doses certas e acesso a uma pluralidade
musical não encontrada em nenhum outro lugar
do mundo. Como a maioria das pessoas ligadas a música,
minhas influências vieram desde cedo do som
que rolava dentro de casa. De um lado, meus pais
ouvindo Frank Sinatra, Stevie Wonder, e Roberto
Carlos, e do outro, meu irmão mais velho
ouvindo, AC/DC, Iron Maiden, e Def Leppard. Acho
que no meio de gostos tão radicalmente diferentes,
acabei encontrando um estilo meio termo pra me apaixonar,
a música pop.
Aos 12 anos resolvi aprender a tocar um instrumento,
já que minha inclinação musical
era muito evidente. O violão parecia ser
o caminho mais fácil e óbvio e dei
início a um período de três
anos de aulas. Nesse meio tempo, sempre que podia,
mexia em um piano na casa de um grande amigo meu
de infância, Cacau. Eu estava sempre na
casa dele, e quando a mãe dele, Diana,
saía, eu corria pra brincar com as teclas.
Tirava as melodias de ouvido e me sentia muito
mais à vontade do que com o violão.
Diana cansou de me pegar no flagra, mas ao invés
de bronquear, me dava o maior apoio. Um belo dia
me chamou pra me mostrar sua mais nova aquisição,
um teclado da Casio que na época era a
oitava maravilha musical. Agora é que eu
não saía mais de lá mesmo!!
Ganhei o tal teclado no Natal seguinte e não
parei mais. Abandonei o violão e comecei
a curtir artistas e bandas mais voltados ao meu
novo instrumento. Foi aí que conheci, através
de meu irmão, que a essa altura já
tinha gostos mais amenos, Elton John.
Aos 16 anos de idade, numa viagem aos EUA, uma
amiga minha me mostrou uma fita cassete de uma
banda inglesa que estava fazendo muito sucesso
por lá na época. Era o Thompson Twins e a fita se chamava Into the Gap. O Thompson
Twins é, até hoje, a minha banda
favorita, mesmo que extinta. Quem curte o meu
trabalho, pode comprar todos os cds deles pela
internet de olhos fechados. Daí em diante
vieram, A-ha, Depeche Mode, Erasure, Nik
Kershaw, Eurythmics, Tears for Fears, Duran Duran,
Lightning Seeds, Roxette, e muitas outras paixões.
Com a exceção do A-ha, todos
os artistas e bandas são da Inglaterra
e começaram suas carreiras nos anos 80.
Minhas influências brazucas ficam por conta
de Lulu Santos, Djavan, Gilberto Gil, Rita Lee,
e Paulinho Moska.
Em 1987, aos 18 anos, terminei o segundo grau
da Escola Pan Americana da Bahia, onde estudei
durante toda minha vida, e decidi cursar Psicologia
na Califórnia State University, Northridge,
logo ao norte de Los Angeles. Lá fiquei
durante dois anos e meio. Durante esse período,
comprei alguns aparelhos de gravação
e montei um pequeno estúdio caseiro. As
composições vieram em grande número
e com enorme velocidade, como se tivessem esperado
todo esse tempo para nascerem. É verdade
que já havia me aventurado a compor desde
os 16 e que a essa altura já tinha umas
20 músicas, mas nada comparado às
mais de cem que vieram em pouco mais de dois anos.
Foi quando percebi que a música era algo
muito forte em minha personalidade e que se fosse
pra agir, a hora era essa. Larguei o curso de
psicologia e ingressei no Colorado Institute of
Art, em Denver, Colorado. Lá, cursei Music
and Video Business, que lida com o lado empresarial
e técnico da música e do cinema.
Queria me preparar par uma carreira no ramo musical
mesmo que não fosse como artista. No período
em que morei em Denver, produzi duas fitas independentes
que mandei para várias gravadoras e que
continham músicas como Barulho, Império
em Pó, So Long e Will Anyone Listen, lançadas
posteriormente em meus dois primeiros cds. As
fitas se chamavam Sketch 1 e Simplicity e chegaram
a aguçar a curiosidade da Warner americana
mas não deu em nada.
No final de um período de seis anos nos
EUA, eu já havia me formado e estava na
hora de decidir o que fazer. Pra ficar nos EUA
eu só tinha uma opção, CASAR!!
Embarquei imediatamente de volta a minha terra
querida! Chegando aqui, montei quase que imediatamente
uma banda para dar início a minha carreira
em solo brasileiro. Ensaiei durante seis meses
na loja de minha mãe (Arte Final) depois
que ela fechava, e fiz meu primeiro show no dia
27 de julho de 1994 no Teatro Expresso Baiano
no Clube Baiano de Tênis. Logo depois me
apresentei no Teatro Acbeu. Fiquei viciado em
shows feitos em teatro e espero repetir a dose
sempre. Nessa época eu ainda não
havia assumido meu sobrenome e era conhecido como
Alex e banda. De lá pra cá foram
centenas de shows em todos os tipos de palcos,
bares, boates, festivais, aniversários,
casamentos, e coisa que DEUS duvida.